André Luiz Costa Ver planos
Menopausa

Treino de força na menopausa: o que os estudos mostram sobre músculo, ossos e creatina

André Luiz CostaAndré Luiz Costa · CREF 213406-G/SP
24 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Se você está na perimenopausa ou já passou pela menopausa, talvez tenha notado que o corpo responde diferente ao treino e à alimentação. A boa notícia é que o treino de força é uma das ferramentas mais bem estudadas para cuidar do seu músculo e dos seus ossos nessa fase. E agora a creatina também entrou na conversa. Vamos ver o que os estudos realmente dizem.

Resumo em 30 segundos
  • Mulheres na pós-menopausa têm, em média, cerca de 5,7% menos massa magra do que mulheres antes da menopausa. A maior parte dessa diferença pode vir da idade, e não só da menopausa.
  • Em uma revisão com 49 estudos e mais de 3 mil mulheres, o treino de força melhorou a densidade óssea, e a combinação com exercício aeróbico apareceu com o melhor resultado.
  • A creatina deu ganhos pequenos de massa magra e de força, mas só quando combinada com o treino de força. Não mudou a densidade óssea.
  • O ponto de partida é treinar força 2 a 3 vezes por semana, com progressão aos poucos.

O que acontece com o músculo na menopausa

Uma revisão publicada em 2026 no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle reuniu os estudos sobre o tema. Na maior parte deles, a massa magra diminuiu ao longo da transição menopausal. Comparadas a mulheres que ainda não entraram na menopausa, as mulheres na perimenopausa tinham cerca de 2,5% menos massa magra, e as na pós-menopausa, cerca de 5,7% menos.

Um detalhe importante: os próprios autores explicam que o envelhecimento sozinho já poderia explicar cerca de 4 pontos desses 5,7%. Ou seja, os estudos mostram uma associação entre menopausa e perda de músculo, mas não provam que a menopausa seja a única causa. Na prática, isso não muda a conclusão: quanto antes você proteger o seu músculo, melhor.

Por que o treino de força é a melhor resposta

Para o músculo

A posição oficial da National Strength and Conditioning Association (NSCA) indica o treino de força como estratégia central para manter músculo e força com o passar dos anos, e para manter a independência nas tarefas do dia a dia.

Para os ossos

Uma revisão com meta-análise em rede, publicada em 2025 na Scientific Reports, reuniu 49 estudos e 3.360 mulheres na pós-menopausa. Em comparação com quem não se exercitou, o treino de força melhorou a densidade óssea da coluna lombar e do colo do fêmur. O exercício aeróbico também ajudou na coluna, e a combinação de aeróbico com força teve o melhor resultado nos dois locais.

Na comparação direta entre os tipos de exercício, os autores não encontraram diferenças estatisticamente significativas. E eles ressaltam que não há consenso sobre a intensidade e a frequência ideais. Por isso, o mais seguro é treinar de forma consistente e progressiva.

E a creatina? Vale a pena?

Em 2026, uma revisão com meta-análise no Journal of the International Society of Sports Nutrition juntou 7 estudos com 608 mulheres na pós-menopausa (idade média de cerca de 62 anos). O que apareceu:

O ponto central: os benefícios apareceram com doses a partir de 5 g por dia combinadas com treino de força. Com 3 g por dia ou menos e sem treinar, não houve efeito mensurável. Ou seja, a creatina não substitui o treino, ela é no máximo um complemento.

Os próprios autores apontam limitações: a qualidade dos estudos foi de risco "moderado" em boa parte, e a revisão não foi registrada antes de começar. Se você pensa em usar creatina, converse antes com o seu médico ou nutricionista, principalmente se tiver problema nos rins.

Quanto e como treinar

O quêQuanto
Treino de força2 a 3 vezes por semana, trabalhando o corpo inteiro
Atividade aeróbica (caminhada, bicicleta, dança)Pelo menos 150 minutos por semana, em intensidade moderada
ProgressãoAumentar carga ou repetições aos poucos, quando o treino ficar fácil

Baseado nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde e na posição da NSCA. Se 150 minutos de aeróbico parece muito, comece com menos e aumente.

Exemplo de treino para começar

ExercícioSéries × repetições
Agachamento sentando e levantando de um banco2 × 10 a 12
Flexão de braço com as mãos apoiadas em uma bancada2 × 10 a 12
Remada com elástico ou halteres2 × 12
Elevação de quadril (ponte de glúteos)2 × 12 a 15
Elevação de panturrilha, apoiada na parede2 × 15
Prancha com os joelhos apoiados3 × 20 a 30 s

É um ponto de partida genérico. Escolha uma carga que você controle bem, mas que deixe as últimas repetições desafiadoras. O ideal é ajustar exercícios, carga e progressão ao seu nível, às suas dores e à sua rotina.

Qual programa combina com você

Treinar na menopausa não é um treino único para todas. O que muda é o objetivo e o ponto de partida:

Sinais para parar e procurar ajuda

Resumindo

A menopausa não é o fim do seu ritmo de treino, é a hora de levá-lo a sério. Com 2 a 3 treinos de força por semana, progressão com paciência e um bom acompanhamento, você protege o seu músculo, os seus ossos e a sua autonomia. A creatina pode ser um complemento pequeno, mas o treino é o que faz a diferença.

André Luiz Costa é personal trainer (CREF 213406-G/SP), formado em Educação Física pela UEPG, com 16 anos de experiência. Atende alunos de todo o Brasil com consultoria e treino ao vivo online.

Fontes

  1. Menzies C, Bowtell R, Shur N, Brook MS. Menopause, female sex hormones, skeletal muscle mass and muscle protein turnover in humans. Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, 2026;17(1):e70232. https://doi.org/10.1002/jcsm.70232
  2. Li X, Zhu J, Xu L, Zhang H, Fu X, Wang Y. Effect of different types of exercise on bone mineral density in postmenopausal women: a systematic review and network meta-analysis. Scientific Reports, 2025;15:11740. https://doi.org/10.1038/s41598-025-94510-3
  3. Naddafha S, Antonio J, Kreider RB, Stout JR. Creatine monohydrate for lean mass, strength, and bone density in postmenopausal women: a systematic review and meta-analysis. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2026;23(1):2668435. https://doi.org/10.1080/15502783.2026.2668435
  4. Fragala MS et al. Resistance training for older adults: position statement from the National Strength and Conditioning Association. Journal of Strength and Conditioning Research, 2019;33(8):2019-2052. https://doi.org/10.1519/JSC.0000000000003230
  5. Organização Mundial da Saúde. Diretrizes da OMS para atividade física e comportamento sedentário, 2020. https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128

Conteúdo informativo. Não substitui avaliação médica ou nutricional individual. Antes de começar a treinar, principalmente se você usa medicamentos ou tem alguma condição de saúde, converse com o seu médico.